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MS investe no atendimento às vítimas de trauma

Um dos objetivos é reduzir mortes e sequelas provocadas por causas externas, como acidentes de trânsito. O investimento será de R$ 570 milhões até 2015

O Ministério da Saúde lança uma nova estratégia para humanizar e melhorar o atendimento de vítimas de causas externas, que incluem os acidentes de trânsito e violências. Foram publicadas duas portarias para criar a Linha de Cuidado do Trauma na Rede de AtençÃo às Urgências e emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) e para definir um incremento de 80% a mais para pagamento de serviços referentes a 148 procedimentos. O investimento será de R$ 570 milhões até 2015.

Além disso, o Ministério da Saúde estabeleceu regras para habilitaçÃo de centros especializados em trauma. Os principais objetivos das medidas sÃo organizar a rede hospitalar, padronizar e agilizar o atendimento às vítimas de violências e acidentes em geral e, com isso, evitar óbitos, complicações e sequelas graves.

Os incentivos financeiros estabelecidos pelo ministério serÃo destinados a procedimentos de média e alta complexidade, como a realizaçÃo de cirurgias. A medida visa viabilizar a organizaçÃo e o fortalecimento dos serviços de saúde no país para este tipo de atendimento. estudos internacionais indicam queda de 17% na mortalidade de vítimas de acidentes de trânsito onde o sistema de saúde foi organizado.

No grupo de causas externas estÃo incluídos os acidentes de trânsito, afogamentos, as vítimas de quedas e agressões físicas, entre outras. essas sÃo a terceira causa de atendimento e de internaçÃo no SUS. As outras duas, sÃo os infartos e os acidentes vasculares cerebrais (AVC).

em 2012, as causas externas provocaram 997,4 mil internações no país, 2,5% a mais do que em 2011, quando os registros chegaram a 973 mil. em 2010, o número foi menor ainda: 929,2 internações. A evoluçÃo dos gastos também foi crescente: R$ 1,076 bilhÃo, em 2012, R$ 1,023 bilhÃo, em 2011, e R$ 940,6 milhões, em 2010.

Nesse universo, os acidentes de trânsito, que incluem os atropelamentos, as vítimas de acidente de carro, de acidente com moto, entre outros, responderam por 161,7 mil internações, em 2012, o que representou 3,8% de aumento em relaçÃo ao ano de 2011, quando o Brasil teve 155,7 mil internações por estas mesmas causas. em 2010 foram 147,7 mil. Os custos sÃo cada vez maiores: R$ 215,2 milhões, em 2012, contra R$ 204,6 milhões, em 2011, e R$ 190,3 milhões, em 2010.

Os dados de mortalidade reforçam a dimensÃo do problema. em 2010, o Brasil registrou 143.256 óbitos por causas externas, o que corresponde a 12,5% do total das mortes registradas no país. é a terceira causa de óbitos entre os brasileiros perde apenas para as doenças do aparelho circulatório (29%) e cânceres (16%).

Para organizar a rede hospitalar, o Ministério da Saúde estabeleceu critérios para a habilitaçÃo de Centros de Trauma, que serÃo unidades de saúde especializadas nesse tipo de atendimento. A Portaria 1366 traz 148 procedimentos que terÃo pagamento diferenciado, com 80% a mais nos valores pagos para o serviço profissional e 80% a mais para o serviço hospitalar.

Os Centros de Trauma sÃo hospitais que já existem e que poderÃo se habilitar ao atendimento especializado de vítimas de violências, agressões e acidentes. Para eleger os hospitais que poderÃo se habilitar, serÃo considerados critérios como localizaçÃo geográfica, populaçÃo atendida, estrutura da unidade e capacidade de atendimento.

Os centros serÃo distribuídos em três tipos I, II ou III, de acordo com o número de habitantes e leitos existentes na unidade, capacidade de atendimento, estrutura instalada, área de abrangência, quantidade de profissionais especializados no atendimento de traumas, entre outros.

Para integrar a rede, os hospitais devem ser referência no atendimento de trauma e integrar a rede de urgência e emergência, conforme o Plano de AçÃo Regional (PAR).

Atualmente, existem no SUS e rede conveniada 268 unidades de referência habilitadas em alta complexidade em traumatologia e ortopedia. Apesar de atender pessoas com traumas, o fluxo de atendimento será melhor organizado com a criaçÃo da Linha de Cuidado do Trauma.

ORGANIZAçÃO - A partir do estabelecimento das regras únicas, o primeiro socorro deve ser prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), que orientará o deslocamento do paciente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou serviço especializado, de acordo com a situaçÃo. Isso será realizado em articulaçÃo com as Centrais de RegulaçÃo, responsável pela articulaçÃo entre equipe do SAMU e a unidade de saúde que receberá o paciente. As unidades de saúde terÃo de realizar o atendimento conforme a classificaçÃo de risco, priorizando casos mais graves.

está em discussÃo no Ministério da Saúde o desenvolvimento de um registro, de base nacional, para inclusÃo de dados detalhados sobre os pacientes atendidos nas unidades de saúde (tempo de permanência na unidade, tipo de acidente que causou o trauma e o atendimento prestado). A medida deve incluir, também, o estímulo à atençÃo domiciliar (programa Melhor em Casa), como modelo assistencial continuado aos pacientes que necessitam de cuidados e que podem ter a assistência em suas casas.

Fonte: Portal da Saúde