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Leses

A Fibromatose Plantar

Os pes são alvos frequentes de problemas ao longo da vida e as lesões inflamatórias e degenerativas são as mais frequentes. Mas nem sempre aquilo que dói ou incomoda e necessariamente uma inflamação ou lesão degenerativa.

A fibromatose plantar foi descrita pela primeira vez por um cirurgião alemão chamado Georg Ledderhose em 1897. Mais tarde descrita como Doença de Ledderhose, trata-se de uma neoplasia benigna (tumor benigno) localizada na região plantar do pe, mais precisamente na fáscia plantar e faz parte de um grupo de fibromatoses superficiais, dentre elas a fibromatose palmar (contratura de Dupuytren).

As causas da fibromatose plantar ainda são desconhecidas, mas há transmissão hereditária descrita na literatura.

As fibromatoses são tumores de crescimento lento que surgem ao longo das fáscias, podendo causar contraturas. O tumor apresenta um comportamento de crescimento lento, originado da proliferação de celulas chamadas fibroblastos, localizados nos tecidos subcutâneos da planta do pe.

A doença acomete principalmente homens acima de 40 anos e pode comprometer ambos os pes em 25% dos casos. As doenças associadas são: doenças hepáticas, etilismo crônico e uso de drogas para tratar crises convulsivas.

A manifestação clínica mais comum e a presença de nódulos firmes, placas ou tumorações lineares localizados nas porções central e medial da fáscia plantar. O nódulo e geralmente indolor, mas o contato com o calçado ou o solo pode gerar desconforto nas zonas salientes da pele, gerando dificuldades na caminhada ou na corrida. A pele sobrejacente e móvel, mas a doença pode tambem acometer a derme e muito raramente os tendões flexores.

O diagnóstico clínico evidencia uma região saliente na planta do pe, de tamanhos variados (0,5 a 3 cm de diâmetro), mais precisamente localizada ao longo da fáscia plantar. A possibilidade concomitante de fibromatoses palmares torna importante o exame clínico geral para identificação de outras áreas de nódulos, zonas de fibrose e contraturas com deformidades.

O primeiro e mais importante passo para um diagnóstico correto e uma avaliação medica adequada.

O diagnóstico por imagem auxilia na diferenciação de outras causas frequentes de dor na região da fáscia plantar, como os processos inflamatórios, degenerativos e as rupturas parciais ou totais da fáscia. A ultrassonografia e um dos metodos que evidencia a localização do(s) nódulo(s), tamanho, e características gerais do tecido, dentre outros. A ressonância magnetica tambem permite a identificação das características anatômicas que caracterizam a fibromatose.

O tratamento conservador está indicado nos nódulos pequenos e não dolorosos. A redução da dor nos nódulos dolorosos pode ser obtida por medicações, órteses noturnas, exercícios de alongamento da fáscia plantar e calcados ou palmilhas adequados.

O tratamento cirúrgico apresenta algumas indicações, com tecnicas variadas de acordo com a extensão e localização da lesão. As limitações cirúrgicas de devem às elevadas taxas de reincidência da lesão após sua remoção.

Procure saber mais sobre seus pes e bons treinos!

Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino
Mestre e especialista em Cirurgia do Joelho e Artroscopia pela UNIFeSP
Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do esporte (SBRATE)
Diretor Medico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT)
Ortopedista do Clube de Atletismo BM&F/BOVeSPA