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Leses

Síndrome compartimental crônica - Dor crônica na perna do corredor

Muitos atletas queixam-se de dores nas pernas durante ou após a corrida.
As causas das dores nas pernas são as mais variadas, desde a dor muscular tardia (DMT), as lesões musculares, as inflamações (tendinites, bursites), as lesões ósseas (fraturas de estresse, síndrome do estresse tibial medial) e ate as compressões nervosas ou vasculares. Os músculos da perna estão distribuídos em quatro compartimentos (espaços definidos por osso e fáscia).

Definimos a Síndrome Compartimental Crônica (SCC) como uma condição de aumento da pressão dos tecidos dentro de um compartimento fechado delimitado por osso e fáscia, que ocorre durante o exercício.
A SCC e uma das causas de dor na perna decorrente do exercício físico descrita em militares, esportistas ocasionais, atletas amadores e de elite.

O difícil diagnóstico clínico decorre do fato dos sinais e sintomas serem semelhantes a outras doenças e lesões freqentes.
Os sintomas são restritos ao período da atividade física, portanto não há sintomas durante o repouso (antes do exercício).

Os corredores são os esportistas mais acometidos pela SCC, principalmente nas idades entre 30 e 40 anos.
A literatura descreve que 15% dos corredores competitivos e 5% dos recreativos apresentam a SCC em algum grau.

Alguns fatores podem ser considerados predisponentes para o desenvolvimento da SCC:
Traumatismos de baixa intensidade
Inflamações crônicas
Hernias musculares
Hipertrofia muscular induzida pelo uso de esteróides anabolizantes.
O aumento da pressão de um ou mais compartimentos acima dos níveis normais provoca uma redução do fluxo sanguíneo local, causando dor e alteração da função do músculo.

O aumento crônico anormal da pressão de um ou mais compartimentos durante o exercício promove um espessamento da fáscia muscular e um desarranjo da fibra muscular, podendo gerar uma lesão irreversível.

Os sintomas mais comuns são:
Dor na perna durante a corrida, mesmo em distâncias curtas, de caráter progressivo, levando à necessidade de parar de correr.
Tensão aumentada na perna (sensação de inchaço)
Limitação da movimentação do tornozelo
Sensação de fraqueza muscular
Modificações na sensibilidade local.
Desaparecimento dos sintomas com o repouso (10 a 15 minutos após interromper a corrida).
O atleta geralmente consegue determinar o tempo de corrida capaz de gerar estes sintomas.
Os estudos diagnósticos incluem metodos de imagem, porem o metodo ideal e a medida direta das pressões dos compartimentos nos períodos pre e pós-exercício.

Cerca de 50% dos casos de SCC apresentam múltiplos compartimentos afetados e 75% das vezes são bilaterais (ambas as pernas).

Dentre as formas de tratamento, a fasciotomia (descompressão cirúrgica do compartimento) e o tratamento de escolha para os atletas desejosos de manter os níveis de treinamento praticados e apresenta bons e excelentes resultados em 60-100% dos casos, enquanto que o tratamento clínico apresenta-se insatisfatório na maioria das vezes.

Os mecanismos geradores da SCC ainda são parcialmente desconhecidos e as estrategias de prevenção são relativamente incertas.
Fique atento e respeite os seus sintomas, pois eles são seus aliados na busca de uma corrida melhor.

Boa corrida!

Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino
Mestre e especialista em Cirurgia do Joelho e Artroscopia pela UNIFeSP
Diretor Científico do Comitê de Traumatologia Desportiva (SBOT)
Ortopedista do Clube de Atletismo BM&F/BOVeSPA
Diretor Medico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT)