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Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) explica a questão, baseada em estudos científicos
O que parece ser um caminho rápido para o sucesso esportivo pode esconder riscos importantes. A especialização precoce em esportes está ligada a cerca de 4,5 milhões de lesões anuais em crianças e jovens, além de problemas como sobrecarga muscular, limitação no desenvolvimento motor e burnout, como aponta o estudo “Early sports specialisation and the incidence of lower extremity injuries in youth athletes: current concepts”.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Dr. Adriano Marques de Almeida, essa especialização em um único esporte de alta intensidade e alto volume pode introduzir padrões de movimento repetitivos e limitar habilidades neuromusculares fundamentais, que dificultam o desenvolvimento do atleta em longo prazo e aumentam as chances de lesão por sobrecarga. “Atletas que treinam dessa maneira colocam mais estresse em grupamentos musculares e ligamentos seletos que o esporte demanda, enquanto diminuem o desenvolvimento de outros padrões de movimentação que a prática multiesportiva proporciona”, explica. “Estudos sugerem que atletas que se especializam cedo são duas vezes mais suscetíveis a apresentarem lesões do que atletas que não se especializaram em um único esporte”, completa.
A American Orthopaedic Society for Sports Medicine descreve a especialização precoce como o compromisso com um único esporte por 8 meses ou mais por ano em detrimento da prática de outros esportes antes dos 12 anos de idade.
A Associação Americana de Ortopedia criou a campanha One Sport Injury com o objetivo de conscientizar pais sobre os riscos de lesões por sobrecarga na especialização precoce e sobre práticas segura para evitar tais lesões. “Considera-se que a especialização esportiva precoce proporciona mínimos benefícios e inúmeras desvantagens, sendo desnecessária para o sucesso do atleta e perigosa para saúde física e mental. Há consenso de que a especialização esportiva precoce provoca aumento dos riscos de lesões, principalmente por sobrecarga”, salienta o presidente da SBRATE.
O especialista frisa que o alerta não é contra o esporte, mas contra a pressa. “Em vez de acelerar carreiras ainda em formação, o caminho deve ser mais amplo, valorizando o desenvolvimento global do jovem atleta para reduzir riscos de lesões que podem comprometer não apenas o desempenho, mas também a saúde a longo prazo”, conclui.
Sobre a Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE)
A Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) é uma entidade sem fins lucrativos que reúne médicos ortopedistas e promove o avanço da artroscopia e traumatologia esportiva no Brasil por meio de educação, pesquisa e boas práticas.
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